2020 – A Volta dos que Não Foram

A Volta dos que Não Foram
(Artigo publicado no jornal O POVO, em 20/fev/2020)

Imagine um cenário de mercado onde uma Empresa X (nada a ver com o Eike) contrata
profissionais que foram treinados por outra Empresa Y. Deixando de lado (just a
minute) questões éticas, provavelmente a empresa Y faria algum esforço para mantê-los, de modo a não “alimentar o inimigo” (artigo O POVO, 23/06/17).

Esse “obvio ululante” (by Nelson Rodrigues) parece não preocupar países socialmente
em “desenvolvimento” (SIC) como o Brasil, que tem a oitava economia mundial
baseada em commodities. Ah! Repúblicas de bananas não têm uma endogenia
próspera, embalada que são por políticos que frustram mais do que o impeachment do
Trump.

Sem arrodear pelas beiradas, é incompreensível não percebermos e/ou nada dizermos
sobre a fuga de cérebro que acontece debaixo do nosso nariz. Na perda recente, por
ex., de um pesquisador top do IFCE Aracati para a Google em Munique, nem a
Instituição, nem os empresários locais, nem os governantes fizeram a simples
pergunta: “meu fi, num quer ficar aqui, não? Tá indo simbora por quê?”.

No passado eu ouvia: se avexe não, Prof Mauro! “Esse cabra vai, mas volta. Duvido ele
esquecer o doce de leite da vó Chiquinha, as tertúlias no Maguari, pegar jacaré na
Praia do Náutico, …”. Pois é! Muitos formados com bolsas do CNPq/CAPES não
voltaram. Ou seja, Empresas X (os de fora) se deram bem num negócio onde as
Empresas Y (os de casa) nem perceberam… mas financiaram com seus impostos!

Mas de repente, percebi que a coisa piorou. Além de muitos não terem voltado e
outros continuarem indo, tem mais uma novidade. Profissionais, mestres e doutores,
formados pela Empresa Y, para melhorá-la e torná-la mais competitiva, estão
fortalecendo a concorrente Empresa X, de uma forma diferente: eles não vão voltar
pra casa da vovó, nem pras tertúlias, nem pra praia… porque nem foram! Não
precisam mais sair de casa! São contratados para trabalhar num tal de “romiofis”
(home office). Ou melhor, saíram… mas não foram. Digo, não voltam porque nem
saíram… Sei lá!

Só sei que o contribuinte aqui fez as contas e não gostou. A fuga de cérebros não
parou! Ficou mais sofisticada. Afinal, os grandões digitais não perdoam: pagam!

Mauro Oliveira
Professor do IFCE Aracati

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Este artigo é dedicado ao meu amigo e ex-aluno, Andre Luiz, Prof do IFCE. Com uma práxis além do seu tempo, André tem dado contribuição destacada no redesenho profissional “around”, inserindo e praticando a tal da inovação, indispensável ao futuro que já chegou, que assusta conservadores e/ou acomodados e… vice-versa (rsrsrs). A sorte é que a juventude “around” percebe e faz suas escolhas. Essa juventude, principalmente ela, é o nosso desafio, o futuro de tudo!.

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