CRONICA: Ainda há muita viagem a fazer!

Ainda há muita viagem a fazer!

Como disse o Professor Mauro Oliveira sobre a arte da eterna juventude. – Natação: toda manhã nade no mar (é com bóia, abestado!). Desaparece a “dor nos quarto”, cai o PSA, melhora o humor e até o jeito de namorar.* 

E foi o que fiz. Mas caso o mar quisesse me assungar, arrumei uma bóia comprida, amarelo queimado, com um rabo de cinto de nylon, para amarrar no cóis. Uns pés de pato, patagônios, com certeza, devido o tamanho dos bichos, para aumentar a forças das pernadas no nado a moda “craun”. Um par de azulejo de plástico pra a amarrar as mãos e me dar força de Sansão em cada braçada. Óculos de natação tipo “pauer rangers”. Para completar tudo um par de sunga azul turquesa, largo nas laterais, protetor solar líquido e um chapéu de pescador, para proteger dos raios ultra-violetas.

E caí na água em frente ao Náutico Atlético Cearanse, quase na mesma hora que o sol se levantava por detrás dos Moinhos do Porto de Fortaleza. Não é que quando adentrava o mar-oceano, já tinha um madrugador chegando de volta. Eita povinho invejoso.

Como ia dizendo, caí na água todo paramentado. E comecei a nadar rumo ao horizonte, ao lado do espigão que acabam de construir, mas onde já se vê flora marinha crescendo nas primeiras pedras. Eita natureza poderosa.

E como disse, nadei. Umas trezentas e vinte e duas braçadas no rumo da venta. Cheguei ao limite do paredão. Uma visão no mínimo insólita. Antes eu sempre estava lá em cima, vendo os loucos de bóia lá embaixo. E dizia: “Isto não é coisa de gente… digamos, n o r m a l.”

Sentei na bóia, que não sou de ferro, e fiquei olhando em volta. O mar maior ainda do que da pria. O horizonte mais longe ainda. Os prédios e a praia ali, na frente, como umas torres dando segurança. A única coisa que continuava a mesma era o gosto da água, continuava salgada e muito ruim de beber. 

Resolvi ir mais em frente. Ousar ver a linha do oceano com o céu que andava malhado de nuvens de toda espécie e tipo, toda iluminada pelo sol despudorado dos trópicos. Nadei mais umas trezentas braçadas, mais uma duzentas, e me perdi. Perdi. (É que, como não disse no início, entrei no mar com minha amiga Laurisa Nutting, mais conhecida como Jubarte devido a sua habilidade de se movimentar no mar sem amarras. Não se entra em tamanho açude sem companhia, para um caso de, sei não, num quero nem pensar). 

Pois é, como ia falando, me perdi. O céu em cima. O mar por todo lado. A terra longe. O porto longe. O povo longe. Os pescadores longe. E a jubarte, desaparecida. Só eu e minha bóia amarelo queimada. 

Que maravilha de invento humano. Me agarrei nela. Não rezei ainda. Mas sentei na bóia e pude apreciar o mar mais mar do mundo. Imenso, face a minha humana estatura. 

A terra balança de longe. Procuro minha guia de mar e nada. Sumida estava. Obviamente a falta de balizamento no mar tinha me colocado em rumo diverso do da Laurisa. Saltei da bóia e resolvi nadar mais para dentro. Nadei mais umas quinhentas. E ouvi sua voz: Kamarada! Lá estava ela. Um pitoco no oceano, no meio da água inundada de luz matinal. O coração desacelerou como que consegue um taxi à meia noite saindo de uma festa na sede do CREA na Castro e Silva. 

Cheguei mais perto. Laurisa falou do mar e da contemplação. Deitei na água e boiei eu mesmo (mas com a bóia amarelo queimada amarrada na cintura, que eu não sou besta). E olhei o céu deitado no mar. Como criança deitada no chão do terreiro da casa de minha avó, vi animais e monstros desenhados nas nuvens. Aí, então rezei. E me senti como Yuri Gagarin quando viu a terra pela primeira vez no espaço e disse: Mah… A terra é Azul.

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Uma resposta para CRONICA: Ainda há muita viagem a fazer!

  1. Ivo Moreira disse:

    Se forem marcar um grupo para nadar no mar ( s me interessa o mar) , contem comigo ! s avisar por aqui .

    Abrao .

    Date: Thu, 19 Sep 2013 00:27:25 +0000 To: j.ivo.jr@hotmail.com

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