Uma Luzinha entre de coqueiros… num CONTO de NATAL!

(Minha primeira poesia, escrita em 1994, publicada 10 anos depois)

Ai! Me alembro tanto seu menino,
que dá uma dor danada de dor:
a “negrada” no alpendre da Casa de Farinha,
esperando uma luzinha entre coqueiros!

E ele que não chegava na sua rural…
a “mundiça” não podia ver uma luz,
qualquer luzinha entre coqueiros…
a “canáia” gritava logo: “lá rem ele”!

Era uma correria desenfreada alpendre abaixo.
Ah! Como a gente adorava a enganação.
Mais uma luzinha que vinha…e se perdia,
e com ela a esperança dele chegar cedo.

Lembro tio Manezin, touca na cabeça, camisolão,
lamparina na mão, alpercata de rabicho, chão batido,
(os óio franzido por detrás dos óculos de garrafa)
berrava sem convicção, enquanto também espiava
mais uma luzinha que aparecia entre coqueiros:
“rão dromir magote. Ele só chega menhan de menhan”!

Ai! Me alembro tanto seu menino,
que dá uma dor danada de dor.
Entre grilos, cururus, vagalumes…


O tempo parou naquele 24 de dezembro:
na minha mente só havia uma luzinha,
a promessa de presentes, zoada, galinha assada…
que desaparecia entre coqueiros!


Uma luzinha trazendo sobretudo um cheiro,
cheiro de suor, suor do peito, da camisa,
camisa empoeirada da estrada carroçal,
um cheiro gostoso de bom!
O cheiro de papai!


ACORDA TODO MUNDO!… PAPAI CHEGOOOOOOOOOOOUUU !!!

Esse post foi publicado em Notícias e Eventos. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s