2017 – “Modéstia às favas”, Gilmar Mendes pagaria o picolé?

“Modéstia às favas”, Gilmar Mendes pagaria o picolé?
(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 17 de junho de 2017)

Nadar no mar de Canoa me acalma o espírito! Foi o que fiz de imediato quando Dona
Gelita, 97 nos couros, teve uma pilora (diabeisso?) de baixar hospital. Enquanto fazia a
estrada Canoa-Mucuripe, a ansiedade de encontrá-la bonita & joiada se inebriava, em
minha cocuruta, ao Netflix de sua vida: seu cuidado com o rebento; sua casa próxima à
Assistência Municipal, de mesa farta aos comensais; seu sorriso airoso de lavanda
Johnson; uma mãe sapiens num seriado sem fim.

Divagações holísticas fizeram-se fortes como as marés de ano novo no calçadão da
Beira-mar. A saga de Dona Gelita me levara a matutar sobre as oportunidades que nós
alunos, professores, juízes… perdemos de melhorar o mundo. Afinal, a vida é efêmera
(ou não) e inexorável (ou sim). E nos surpreende a cada momento.
Com efeito, na semana anterior tínhamos comemorado no IFCE Aracati algo singular:
pela primeira vez todos os picolés da Sorveteria Zé de William foram pagos pelos
alunos. Explico: nessa sorveteria, inventada pelo Engº José William da Coelce, em
1974, o aluno pega o picolé e paga R$1,00 sem fiscalização alguma, nem eletrônica,
nem pessoal.

Paradoxalmente ao fato, na sexta-feira, 9 de junho, enquanto os alunos frente à
Sorveteria honravam sua Escola, o presidente do TSE nocauteava seu País. Sua “obra
de demolição progressiva do respeito público pela Justiça usa o escárnio agressivo
como arma do facciosismo … joga no lixo provas de tribunais superiores” (Jânio de
Freitas, Folha 15/06/17). Foi um trágico 4×3 (de enrubescer qualquer 7×1) na
contramão de uma Justiça/MP/PF ousada que, de forma inédita na “terra brasilis”,
colocara bandidos do andar de cima na mesma gaiola dos ladrões sem colarinho
branco.

Coitado deste doutor das letras que se fez aprendiz da moral ao perder a fantástica
oportunidade de pagar “seu picolé” diante de plateia tão carente de alento… “pátria
mãe tão distraída/sem perceber que era subtraída/ em TEMERbrosas transações”. (Ah,
página infeliz de nossa história… Vai passar, né, Seu Chico?)
Em tempos de corrupção, a Escola é a solução! É a frase que os alunos na Sorveteria do
inesquecível Doutor Zé de William legaram ao esquecível Doutor Gilmar Mendes. O
tempo lhe fará justiça… “modéstia às favas” (SIC, by Gilmar)!

Mauro Oliveira, Professor

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Ao MESTRE… COM CARINHO ! Este artigo é dedicado ao MYRSON da tia Regina, o queridinho tio das minhas Carolinas. Myrson Lima, referência do vernáculo no Ceará, foi meu professor e colega na ETFCE (por isso eu , NUNCA separo o sujeito do verbo… rsrsrs). Membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa e autor do best-seller “Essencial do Português” (ABC Editora, 7ª edição), este meu amigo é um dos mantenedores do projeto Pequeno Mundo, no Padre Andrade.

Myrsão é sempre sorriso aberto, energia farta, piadas inteligentes, generosidade à flor da alma! Felizes os felizardos (serei repreendido por esta “metonímia”… rsrsrs) que tiveram a felicidade (de novo a “catacrese”… sei lá!) de ser (ou serem… rsrsrsr) seus alunos.Agora, imaginem eu que tenho o privilégio de ser seu amigo!
Obrigado meu professor. Meus artigos têm sua marca!

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