2018 – Uma Tarde Com Sócrates… e Meus Alunos!

Uma Tarde Com Sócrates… e Meus Alunos!
(Este artigo foi artigo foi publicado na Revista ARTE de VIVER da Faculdade Vale do Jaguaribe)

“Trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates! (Jobs)“

Steve Jobs, o “cara” da Apple, deixou este recado para as escolas: “trocaria toda a minha
tecnologia por uma tarde com Sócrates”. Este velho sábio, conhecido em todas as nossas
escolas (será?), não deixou nada escrito, mas nos legou um modelo, foi o “cara” do diálogo.
Sócrates via o ato de educar como o desenvolvimento da capacidade de pensar, um processo dialético que conduz (ou deveria) à essência da escola… de uma Escola Pra Valer!

Será que nossas (conservadoras) escolas têm encarado a sério esta invencionice socrática
(base das metodologias Ativas)? Os professores de nossas escolas “levam este papo cabeça”
do Mr. Jobs no cotidiano com seus alunos? Afinal, a Escola existe para melhorar o mundo.
Para isso é preciso melhorar o homem. Educar significa “trazer pra fora” num ato
transformador. É ajudar o jovem a decidir bem a construção da sua própria história. Para tanto, ele precisa reconhecer-se capaz e sentir, na solidariedade ao outro, o mantra do He-Man: “Eu tenho a força!”. Por isso, uma Escola que é reflexo da sociedade não serve a ela… nem pra ela!

Educar Pra Valer é aprumar “no rumo da venta” o poder do jovem no presente, na perspectiva do futuro, “essa astronave que tentamos pilotar” (Toquinho). Presenciei esse poder em um projeto social realizado por meus alunos. Os “meus meninos” organizaram um teatro em uma escola da periferia onde os alunos desta escola eram os atores. Um dos atores, meio acabrunhado, me chamou a atenção. Dei “uma de Xuxa” e na intimidade de uma cutucada no cangote dele, perguntei ao mais “nvo artista” do bairro se ele tinha gostado do teatro.

Encruado mas com uma voz leve de rouxinol, ele respondeu: “Foi massa, fessô. Deixei de ir prum assalto pra vir prêsse negócio aqui!” Estatelei durante alguns segundos! Foi uma das minhas maiores experiências em Educação ouvir aquele garoto que não imaginava os megatons de sua fala: “deixei de ir prum assalto pra vir prêsse negócio aqui!”.
Em seguida, olhei para meus alunos, diretores daquele teatro… que imitava a vida… que imita a arte. Lembrei-me da música do Gil onde o super-homem muda o curso da história para salvar a namorada. Naquela tarde de sol, meus alunos tinham mudado o curso da história daquele “jovem ator”, evitando que ele participasse do assalto, talvez matasse, talvez morresse.

Se Jobs, ao trocar sua tecnologia por uma tarde com Sócrates, expressou-lhe a grandeza em metáforas a frase do garoto não é menos digna de filósofo das “trocas”.
Talvez Sócrates tivesse trocado toda a sua filosofia por aquela tarde com meus alunos.

Mauro Oliveira
Membro da Academia Aracatiense de Letras

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Este artigo é dedicado ao tio Davis. Prof DAVIS é um professor, um filósofo, um professor filósofo… ou um filósofo professor do IFCE. Não importa. O importante  mesmo é que ele se dá a seus alunos como os grande filósofos se davam aos discípulos: seus conhecimentos e, o mais precioso, seu tempo, o que temos de mais precioso nessa “frequência” atual.

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