IFCE, inteligência e rapadura

(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 23 de setembro de 2017)

Esta eu sempre conto em sala de aula. Um amigo meu, ao entrar no metrô na Finlândia, apura a vista em uma placa: ”local de passagem livre para quem não pode pagar”. Aí resolve perguntar à funcionária se alguns que poderiam pagar não “abusavam” da passagem livre. Ela, surpresa, responde: “por que alguém faria isso”?

Somos um país nocauteado na moralidade por políticos que desfilam suas Samsonites propinadas com 500 mil (primeira parcela). Estamos de joelhos em nossa autoestima, quando o presidente da República é cumplice de marmotas com empresas  e de negociatas no Congresso. De quem é a culpa?… De todos nós que votamos em “amigos” e defendemos ideologias políticas que se confundem com interesses pessoais (tu né assim não, mah?).

Porque somos como somos? Tomara que a geração de minha neta Laís se livre da gambiarra do jeitinho brasileiro, de “levar vantagem em tudo”, lute contra injustiças que não a atinge, troque “cordas” que enforcam sonhos pelas que salvam, levantam, erguem!

A saída? Educação de qualidade! Na mesma Finlândia, 87% dos adultos concluem o ensino médio. Seus estudantes são campeões do PISA, teste internacional que avalia leitura, matemática e ciências (recentemente, o Brasil amargou a 66ª posição em matemática entre 72 países avaliados).

Mas existe um “túnel no final da luz”! Neste rumo da venta, educação de qualidade é o que não falta no IFCE. A exemplo de milhares, sou grato a esta “casa de excelentes” onde fui aluno, atleta, professor, coordenador e diretor geral. E é dela que trago boas notícias: por 4 vezes em setembro os alunos do IFCE Aracati pagaram todos os picolés (“por que alguém não faria isso”) na sorveteria Zé de William, um projeto criado em 2003 onde  se paga sem fiscalização… à moda “político de Helsinque”.  Ainda mais! Nos projetos do Polo IFCE/Embrapii, as bolsas de pesquisa são financiadas por empresas que confiam na inteligência local. Há um simbolismo forte nisso, tal qual um livro comprado em uma livraria: uma bolsa paga por um empresário, via Embrapii, representa a venda de “conhecimento” em uma cidade do interior que, até então, só vendia “rapadura”.

Foi com educação de qualidade e vendendo conhecimento que a Finlândia conseguiu chegar lá, na contramão do apartheid educacional e da economia de “rapadura”. Este modelo é também combatido por este fantástico IFCE que hoje completa 108 anos.

Ei, Seu Nilo Peçanha (1909), valeu hein!

Mauro Oliveira

Pesquisador FUNCAP

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