Entrevista TV Digital: Portal Nordeste Digital

Bom dia, Mauro. Tudo bem?

Sou repórter do portal Nordeste Digital, que entrará no ar em breve trazendo assuntos relacionados a tecnologia para a nossa região. Estou pautado com uma entrevista com você sobre TV Digital e gostaria de saber se podemos conversar sobre o assunto.

Antecipo as perguntas abaixo e deixo livre para que você possa colaborar com outras questões que achar pertinente.

– Aparentemente, a mídia parou um pouco de pressionar o debate sobre a TV Digital no Brasil. Qual o atual cenário do Nordeste nesse processo tecnológico e a quantas anda o projeto brasileiro?

Na minha opinião o governo poderia estar indo mais rápido na questão da TV Digital, em especial na adoção do GINGA na fabricação dos set-top- boxes para TV analógica e das TVs que os trazem integrados. O fato mais recente, e MUITO IMPORTANTE, é a proposta 062/11 da Consulta Pública 08, de 19 de setembro de 2011 que determina a obrigatoriedade do GINGA. Precisamos apoiá-la. Ela se encerra dia 03 de outubro deste.

– Como o Sr. avalia a questão da interatividade no atual cenário da TV Digital? Ela já existe a ponto de efetuar uma inclusão digital significativa dos brasileiros?

Por incrível que pareça já existe mais de 5 milhões de cópias do GINGA, a maioria no Brasil e na Argentina que, inteligentemente, vem aproveitando o Ginga melhor do que nós, os inventores. Apesar da interatividade ser o forte do GINGA, seu uso depende muito de outros atores como a boa vontade das operadoras (sic), o apetite das empresas de publicidade em utilizar a interatividade em seus produtos, do governo em lançar programas interativos de apelo socio-educativo, por exemplo. Isso vem acontecendo muito timidamente. Por exemplo,  O PNBL e o SBTVD-T deveriam convergir mais no que diz respeito as intenções de inclusão digital do governo.


– Em relação a economia, como a TV Digital tem impactado os negócios nacionais?

Apesar de todos os percalços comentados acima quanto a lentidão da adoção do GINGA, acho que o modelo brasileiro deu uma certa musculatura nas negociações, evitando que a sociedade brasileira pagasse royalties, o que poderia acontecer se tivéssemos adotado integralmente um dos padrões de TVD existentes (americano, europeu ou japonês). Com a convergência e o avanço “aloprado” de produtos e serviços digitais (GoogleTV, Netflix, Tablets, Android,  etc) não se pode avaliar ainda como e nem pra que lado esse impacto acontecerá.


– As empresas de comunicação já pensam sobre a questão da mudança de conteúdo/programação? O que pode ou vai mudar?

Essa questão é mais difícil ainda de se fazer uma previsão, por razões citadas acima. Nota-se, no entanto, uma morosidade tanto no mercado quanto na academia em entender o que realmente vai acontecer no novo cenário da TV digital do futuro que, esperamos, será interativa. Vale sempre lembrar a ameça do Zapper, um middleware que não permite interatividade, de fácil fabricação e que afetaria drasticamente o mercado de comunicação em TVD  por não permitir interatividade.


– A população já está preparada financeiramente para reconhecer a importância da TV Digital? Como o povo nordestino participa desse processo?

A população sabe muito pouco sobre TV digital, suas razões, necessidades e consequências. Acho que a questão financeira não é a mais urgente pelas seguintes razões: o mercado sempre encontra mecanismos para vender, em especial sendo a TV uma paixão nacional; podemos ter políticas públicas nesse sentido que espero serem favoráveis ao GINGA e não ao Zapper (seria um desastre); o barateamento da tecnologia digital acontece a uma velocidade surpreendente onde o computador, tablet e outras geringonça computacionais aparecem como concorrente favorecendo a popularização da TVD.


– O que podemos esperar da TV Digital para os próximos anos?

Com a convergência digital proporcionada em especial pela popularização da Banda Larga, onde não se separa mais radiodifusão de telecomunicações, como antigamente, nada de seguro se pode dizer em termos de definições tecnológicas e mercadológica. Socialmente, sabe-se que a TV aberta, paixão nacional, ainda tem muito chão pela frente. Pelo menos até 2020… ou não!


– Fique a vontade para acrescentar algum ponto que ache importante.

Aproveito para conclamar todos os interessados a participarem da Consulta Pública 08, de 19 de setembro de 2011 que determina a obrigatoriedade do GINGA. Precisamos apoiá-la. Ela se encerra dia 03 de outubro deste. Vamos torcer para que essa grande conquista da inteligência brasileira que foi o Ginga, reconhecido internacionalmente pelo ITU-T (Ginga-NCL), seja usada em benefício da sociedade brasileira. Que a TV digital brasileira seja um benefício para a sociedade brasileira e não apenas mais um produto de interesse da indústria e das operadoras.
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